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¤ Exploração Predatória

Com a exploração predatória de palmito, as plantas são, na maioria das vezes, extraídas da floresta nativa antes de sua frutificação. Não havendo a produção de sementes, que servem de alimento para diversos animais, sua disseminação e recomposição são prejudicadas.
Além de contribuir para a extinção da espécie, o palmito clandestino, por ser processado sem atender às mínimas exigências sanitárias, representa sério risco à saúde humana.
Predatória do ponto de vista social, econômico e ecológico, a exploração clandestina de palmito não encontra muitas barreiras no país. A facilidade de extração e comercialização, o descaso do governo, o excesso de exigências para a exploração sustentável e a corrupção dos órgãos fiscalizadores são apontados como os principais responsáveis pela perpetuação da clandestinidade.
Envolvendo comunidades locais de baixa renda, principalmente homens e meninos a partir dos 10 anos, a extração predatória de palmito é uma das poucas fontes de renda dessas populações, que costumam roubar o produto de Unidades de Conservação (UCs) e propriedades particulares, contando com a conivência de seus dirigentes e proprietários.
Segundo cortadores de palmito, um homem é capaz de extrair e transportar uma média de 70 plantas por dia. Com um facão e uma foice, esse total pode ultrapassar 200/dia e com a utilização de mulas para o transporte, esse número dobra ou triplica.

¤ Risco à Saúde Humana

Numa tabela elaborada pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, as indústrias de palmito ocupam o primeiro lugar entre os estabelecimentos que processam alimentos com risco epidemiológico.
Para a classificação de grupos de risco não são só consideradas as características do produto, mas também a forma como é preparado. Além de não atender às mínimas exigências sanitárias, as indústrias de palmito, por serem clandestinas, não são fiscalizadas pelo Estado.
O botulismo, por exemplo, é uma intoxicação alimentar provocada pela consumo de palmito produzido sem condições de higiene necessárias. Caso os cuidados para a conservação do produto não sejam tomados, a bactéria Clostridium botulinum, que pode ser encontrada no solo e entrar em contato com o palmito durante sua extração, tem condições de produzir a toxina que provoca a doença. Atingindo o sistema nervoso, o botulismo inclui sintomas como insuficiência respiratória, distúrbios visuais e de coordenação motora, fraqueza e pode deixar seqüelas ou até mesmo levar à morte.

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