¤ Palmito Juçara
(Euterpe edulis)
I. Características
O palmito juçara é uma planta nativa da Mata Atlântica pertencente à família das palmeiras e ao gênero Euterpe, do qual fazem parte 28 espécies encontradas entre as Antilhas e a América do Sul.
Espécie de sombra, principalmente em sua fase jovem, necessita de cobertura florestal para o seu desenvolvimento, elevado teor de umidade do solo e extensa camada orgânica em decomposição. Depois de crescida, precisa de sol. Enfim, um ambiente típico de mata nativa.
II. Área de Ocorrência
Com distribuição natural entre o sul da Bahia e o norte do Rio Grande do Sul, o palmito juçara é encontrado em abundância na Floresta Ombrófila Densa e na maior parte das Florestas Estacional Decidual e Semidecidual. Na Floresta Ombrófila Mista, sua ocorrência está restrita às áreas ciliares.
Comum em regiões com altitudes entre 700 e 900 metros e com precipitação anual entre 1 mil e 2,2 mil milímetros, ocorre também em áreas de estacionalidade, com déficit hídrico de até três meses, freqüentes no sul da Bahia e do Mato Grosso do Sul. Apresenta melhor desenvolvimento, entretanto, em áreas com precipitações médias de 1,5 mil milímetros/ano.
Desenvolve-se bem em temperaturas médias de 17ºC a 26ºC, tolerando até sete geadas durante o ano. É encontrado geralmente em solo fértil, com textura arenosa e argilosa e drenagem de boa a regular, mas deve ser evitado em solos secos, pois a ausência de água e o solo arenoso são prejudiciais à espécie. Solos encharcados e de argila pesada também não são recomendados.
III. Importância
A preservação do palmito juçara está diretamente ligada à manutenção da biodiversidade da Mata Atlântica, uma vez que sua semente e seu fruto servem de alimento para diversos animais, como tucanos, sabiás, macucos, periquitos, maritacas, jacus, jacutingas, porcos do mato, antas, marsupiais, ratos-de-espinho, esquilos, tatus e capivaras.
A importância da conservação da espécie também está relacionada ao período de sua frutificação. Por ocorrer no inverno, quando a maioria das outras árvores está sob estresse hídrico devido ao período seco, é um alimento fundamental na mata.
Além disso, o palmito juçara serve de alimento para o homem e suas palmeiras fornecem frutos, açúcar, óleo, cera, fibras, material para construções rústicas, matéria-prima para a produção de celulose, entre outros.
IV. Plantio
Devido às características ecológicas do palmito juçara, é inviável plantá-lo como uma cultura agrícola convencional. As formas de cultivo indicadas são o sombreamento definitivo (mata nativa), o sombreamento temporário e o consórcio com outras plantas.
Recomenda-se o plantio em áreas onde já ocorram o Euterpe edulis, com a utilização do sistema de semeadura direta e o remanejamento de mudas formadas em viveiros. Normalmente, o sombreamento temporário é feito com bananeiras, leguminosas arbustivas ou cultivares de porte baixo, pois a partir do seu terceiro ano a palmeira deve ser exposta ao sol.
Do cultivo consorciado, até hoje só foi estudada a combinação do açaizeiro com seringueiras (Hevia brasiliensis), onde apresentaram viabilidade em regiões com baixa deficiência hídrica. O espaçamento médio utilizado entre os palmiteiros é de 2m x 1m. Os maiores rendimentos por planta são obtidos nos maiores espaçamentos e os maiores rendimentos por área, nos menores espaçamentos.
V. Reprodução
O período de produção de sementes acontece entre 8 e 15 anos após o plantio, com florescimento durante a primavera e amadurecimento dos frutos entre abril e novembro. Apesar da frutificação abundante, com a produção de aproximadamente três mil sementes por ano, apenas 20% desse total transforma-se em árvores.
VI. Sementes
As sementes estão perfeitamente maduras quando apresentam uma coloração roxa-escura e a planta é considerada adulta quando atinge entre 12 e 15 metros de altura e cerca de 15 centímetros de diâmetro.